Hoje é meu último dia!
10/10/2009
Hoje é meu último dia (amanhã sou um homem livre) é uma música que fala de liberdade em várias esferas de nossos papéis sociais. Daí a inspiração depois de ter tido contato com o conceito de Individuação de Jung.
A inspiração para a letra aconteceu um dia na rua quando passei do lado de um rapaz fazendo entregas num caminhão que soltou a pérola “Hoje é meu último dia nessa empresa, amanhã eu sou um homem livre!” Daí pra frente fui buscar um ritmo que coubesse a letra e que tivesse impacto e pegada pra traduzir a idéia à altura da letra, enfim, depois veio o riff de guitarra que acredito complementar o clima da música. Produzi tudo no meu home-studio, onde toquei todos os instrumentos e escolhi ela pra abrir esse trabalho pois gostei muito do resultado.
Download disponível no site: http://palcomp3.com/alexandrecabide/
Música e Letra: Alexandre Cabide
Gravação, instrumentos e voz: Alexandre Cabide
Hoje é meu último dia nessa escola, amanhã eu sou um homem livre
Estudei química orgânica, funções, mesóclise, pra quê?
Não sei, Se alguém souber, favor me avise!
Hoje é meu último dia na faculdade, amanhã eu sou um homem livre
Desde calouro até o canudo ainda não vi minha profissão
Em quatro anos papo e chopp eu tive
Liberdade em fim, oh oh, mais que um desejo um meio sadio
Essencial pra mim, pra renascer e viver assim
Hoje é meu último dia nessa casa, amanhã eu sou um homem livre
Oh meu pai e minha mãe digo obrigado, mas tô noutra
Meu espaço é sagrado e vive
Hoje é meu último dia nessa empresa, amanhã eu sou um homem livre
Engoli sapos e desmandos e até que durei um bocado
Mas agora quero um tempo pra mim
Hoje é meu último dia de ator, amanhã eu sou um homem livre
Representei o bom moço, o engajado, o descolado
Agora vou ser Alexandre Cabide
Hoje é meu último dia de revolta, amanhã eu sou um homem livre
Pois já passei pelas posturas egoístas, altruístas,
Para além disso uma alma reside
Idéias inspiradoras
Segundo a definição da wikipédia, “A individuação, conforme descrita por Jung, é um processo através do qual o ser humano evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que implica uma ampliação da consciência. Através desse processo, o indivíduo identifica-se menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra e mais com as orientações emanadas do Si-mesmo”.
“NORMOSE” - (a doença de ser normal)
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento que “exercem” tanto poder sobre nossas vidas? Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciaçã o e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Então, como aliviar os sintomas desta doença? Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada. A normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
Michel Schimidt
Psicoterapeuta
Para mim, consigo enchergar como, uma total superação (não negação, necessariamente) dos padrões sociais, normas de conduta, principalmente no atendimento às expectativas que acreditamos ter sobre nós, para uma busca e desenvolvimento de escolhas e necessidades próprias. Uma reinvenção, inclusive, de si mesmo.
Ainda passando próximo ao tema, no desenvolvimento de um discurso, o filósofo Claudio Ulpiano descreve um processo similar, quando trata da reinvenção de si mesmo, de certa forma, nos vídeos abaixo, bem interessante.